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Sêmen da raça araguaia começa a ser vendido no mercado

24 de junho de 2019

Pecuaristas da divisa dos Estados de Mato Grosso e Goiás desenvolveram uma nova raça de gado de corte, a araguaia, que carrega características genéticas de três origens diferentes: a francesa blond d’aquitaine ,a indiana nelore e a brasileira caracu.

Os animais são alimentados, prioritariamente, em pastagens que têm sombras naturais de árvores nativas. Além de reduzir os impactos ao meio ambiente,  a seleção dá foco no bem-estar do gado. Resultado: a raça produz uma carne mais magra, considerada de alta qualidade e que pode ser rastreada pelo celular.

A raça araguaia foi desenvolvida pelo pecuarista Raul Almeida Moraes Neto e pelo geneticista Gismar Silva Vieira na Fazenda Santa Rita, em Torixoréu (MT), que fica a 565 quilômetros da capital, Cuiabá.

Raça araguaia inaugura neste ano a venda de sêmen, enquanto  a punganur obteve o primeiro registro de animais na ABCZ  (Foto: Divulgação)

O manejo é por meio do replantio de árvores nativas, que garantem sombras para o bem-estar animal. “Quando se promove o sombreamento e a regeneração das árvores, o solo também é beneficiado. As raízes o protegem de erosões e trazem os nutrientes da camada mais profunda para a parte da superfície”, afirma Raul.

Ele explica que o gado com o bem-estar tem maior ganho de peso e torna-se mais fértil. “Produz uma carne mais macia, saborosa e suculenta”, diz.

“A grande demanda hoje é por produtos sustentáveis, que contribuam para a sustentabilidade do planeta. A árvore e o pasto absorvem o carbono da atmosfera e ainda fornecem alimentos para pássaros e insetos. Então, além de tudo, contribuímos com a fauna e a flora local”, acrescenta.

Na Fazenda Santa Rita, onde atualmente são criadas mais de 1.200 cabeças de araguaia, a alimentação dos animais é baseada em pastagem e complementada com ração. A meta para 2019 é que sejam abatidas pelo menos 500 cabeças.

A nova raça agrega as principais características das três que a originaram. Da francesa blond d’aquitaine (47%) incorporou a alta conversão alimentar e a musculatura farta e bem distribuída; da caracu (28%) tem a rusticidade e a elevada produção de leite, proporcionando bezerros mais pesados na desmama; e do nelore (25%) herdou a capacidade para se adaptar ao clima seco e de altas temperaturas típico do Cerrado.

Em 2013, a araguaia teve seu registro concedido pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ).

MENOS GORDURA

A expectativa é que, em outubro deste ano, seja inaugurada a estação de monta para viabilizar a venda de sêmen e disseminar a araguaia para outros Estados.

Guilherme Nogueira, sócio-proprietário da Origem Premium, empresa que comercializa a proteína em São Paulo, explica que os resultados do manejo sustentável podem ser percebidos na mesa do consumidor: a carne da raça araguaia tem 30% menos gordura intrínseca, uma exigência crescente no mercado de produtos de alta qualidade e com maior valor agregado.

Os animais podem ser rastreados via celular para certificar a procedência da carne por meio do chamado QR Code. É possível checar informações sobre a fazenda onde o gado foi criado no Estado mato-grossense até o frigorífico Cowpig, em Itupeva (SP), local de abate. “Pelo celular, o consumidor tem a garantia de que está adquirindo uma carne de animal que não é de confinamento. O bem-estar animal faz toda diferença”, afirma Guilherme.


Fonte: Revista Globo Rural
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Foto: Reprodução | Thinkstock
Boi da raça araguaia em pasto de Torixoréu (MT)