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Agropecuária manterá crescimento, acredita Tereza Cristina

18 de junho de 2019

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reconheceu, que a agropecuária não “carrega” a atividade econômica brasileira da mesma forma que em anos anteriores. Mas avaliou que o setor deve continuar a ser o motor da economia ao menos pelos próximos três ou quatro anos. Ela fez as afirmações em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, gravada na tarde desta segunda-feira (17/6).

 
No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto da Agropecuária (PIB Agro) teve uam retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2018. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a retração foi de 0,1%. Ainda assim, no acumulado dos últimos 12 meses terminados em março, o setor cresceu 1,1% de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
“O assunto China e Estados Unidos, enquanto não se resolve de uma maneira definitiva, fica vai e volta, pode ajudar o PIB da agricultura brasileira. A agricultura continua crescendo. As commodities caíram um pouco, mas eu não vejo a China parar de importar soja mesmo com a peste suína. O Brasil vai crescer na exportação de milho. Ainda temos espaço para crescer. Precisamos aproveitar esse momento de aquietação nesse setor e agregar valor”, afirmou.
 
Em outro momento, Tereza Cristina disse que ainda não foi medido o  efeito da grave epidemia de Peste Suína Africana (PSA) na China sobre a demanda local por grãos. Destacou, no entanto, a oportunidade para o setor de carnes do Brasil. Acrescentou que, depois da recente suspensão das exportações para os chineses por conta de um caso de mal da vaca louca em Mato Grosso, o governo está revendo o protocolo sanitário bilateral.
 
“A questão da peste suína é grave e vai durar muito. Estamos discutindo o protocolo com a China e temos grande interesse em carnes e eles têm interesses em colocar recursos para produzir aqui. Os preços na China são altamente compensadores. Todo mundo quer, mas nem todo mundo está apto”, disse.
 
Tereza Cristina disse ainda que há uma grande chance de se fechar em breve o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, mesmo reconhecendo que os europeus “jogam pesado” e que a agricultura é um assunto sensível nas negociações. Pontuou que os subsídios pagos pelo europeus à agropecuária são excessivos, mas estão caindo porque eles não conseguem mais pagar.
 
“A Argentina quer muito um acordo, o Uruguai com menos vontade. Mas o nosso bloco (Mercosul) hoje está com apetite maior para um acordo, mas se a queda for grande, não vamos fazer. Ninguém vai prejudicar o seu país. Mas há um clima bom para isso. O assunto sensível é a agricultura. Estamos caminhando para um acordo que, para o agronegócio, vai ser bom”, avaliou.
 
Do lado do Brasil, Tereza Cristina pontuou que o país consegue ter uma agropecuária competitiva mesmo com subsídios. E disse apoiar a agenda mais liberal do Ministério da Economia, que prevê a redução dos incentivos ao setor. No entanto, usando como exemplo a situação dos produtores de leite brasileiros, ponderou que ainda há segmentos da agropecuária brasileira que precisam ser subsidiados e que a redução deve ser gradual.
 
“Eu não sou a favor dar a vida inteira subsídio  ou ajuda a alguém, mas é preciso fazer um ajuste antes do desmame”, argumentou na entrevista, que teve a participação do diretor de Redação da Globo Rural, Bruno Blecher.
 
As relações do Brasil com mercados importantes para o agronegócio passou por momentos de incerteza com o novo governo. A maior aproximação com Israel, por exemplo trouxe um temos, especialmente na indústria de carnes, de que a reação do mundo árabe poderia ser negativa, com efeito nas exportações brasileiras. Tereza Cristina prepara uma viagem a pelo menos quatro países árabes.
 
Questionada durante a entrevista sobre como tem conversado sobre essas questões com o Ministério das Relações Exteriores, a ministra disse, no começo, a pasta não conhecia o agronegócio, mas agora conhece. E que tem um bom entendimento como ministro Ernesto Araújo.
 
“No início, cada um falava o que pensava. Agora há um entendimento e estamos trabalhando em equipe. O Brasil precisa de acordos comerciais com outros países porque produz muito e não usa tudo aqui”, disse. Nesse sentido, acrescentou, o Brasil também precisa entender melhor que o comércio com outros países é uma via de mão dupla e precisa se abrir mais.
 
Tereza Cristina negou que os representantes do agronegócio estejam descontentes com o governo. Segundo ela, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) está em “lua de mel” com o Itamaraty. E o presidente Jair Bolsonaro tem sido aliado do setor.

Fonte: Revista Globo Rural
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Tereza Cristina, ministra da Agricultura