No dia 22 de março os pecuaristas de Mato Grosso do Sul tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o país que é um dos principais competidores do Brasil no mercado mundial de carne: a Austrália. Na palestra ministrada por Troy Setter, do Australian Beef Industry Foundation, a convite da Allflex,ele afirmou que o meio ambiente australiano é um dos mais hostis do planeta, seco, na maior parte do território. Mesmo assim a Austrália consegue produzir carne com eficiência e competividade.
Apesar de os brasileiros estarem de olho em mercados no qual aquele país atua, os australianos não nos veem como concorrentes diretos. “A Índia sim é uma ameaça às nossas pretensões comerciais. Lá o custo de produção é muito mais baixo que o nosso. Quanto ao Brasil, a carne daqui tem um valor quase igual ao da carne australiana”. Ele atenta que uma vantagem que a Austrália leva, em comparação com a pecuária nacional, se deve ao tipo de raça criada. Lá predomina animais de origem europeia. Zebuínos fazem parte da minoria, e são encontrados nas áreas mais quentes e áridas.
No norte do país cria-se Brahman e um dos problemas com a raça é a alta taxa de mortalidade devido às longas distâncias que os bezerros têm de percorrer em busca de água – cerca de 5% perece. “Além disso, com um rúmen 30% menor, a conversão alimentar desses animais é menos eficiente”, detalha. No sul do país cria-se Hereford e Angus.
Marketing foi outro assunto trazido à tona. Setter disse que na Austrália a cada transação comercial com gado são recolhidos cinco dólares australianos para um conselho que administra a estratégia de marketing, pesquisa e desenvolvimento, rastreabilidade. Mais de 100 milhões de dólares são recolhidos por ano para financiar as ações do MLA. Vender a imagem da qualidade da carne australiana deu tão certo que no Japão, um dos mercados mais exigentes do mundo, a rede de lanchonetes Mc Donald´s usa como estratégia de venda mostrar, em comerciais de TV, como é seguro consumir seus hambúrgueres, pois são de carne de bovinos australianos.
“A experiência na Austrália é mais um exemplo de como foram resolvidos os problemas sanitarios e de segurança alimentar. E a palestra vem contribuir como mais uma fonte de inspiração. Claramente a situação aqui [no Brasil] é diferente, mas traz algumas ideias que podem ser integradas em um projeto sul-mato-grossense”, disse Didier Simon, diretor da Allflex.
Segundo Simon, atualmente para se aproximar um consumidor, que é cada vez mais urbano, de um criador que ficou lá na propriedade, tem-se de ter uma ferramenta – ”e essa ferramenta se chama marketing”.
Para ele, é preciso explicar o porquê da carne ser de boa qualidade, mostrar que o produtor não corta árvores, que há uma preocupação com a preservação do meio ambiente. E esse marketing pode ser feito pelas empresas que processam. Contudo, elas tendem a fazer a publicidade do produto delas. E ninguém faz o marketing genérico, que é o que os australianos fazem, com apoio de uma ferramenta – a rastreabilidade – que dá tranquilidade ao consumidor de que ele está consumindo algo saudável.
De acordo como o palestrante, na Austrália gasta-se cerca de US$ 20 milhões por ano em publicidade, que são direcionadas para mostrar os valores nutricionais do produto, a produção sustentável e ainda a qualidade e confiabilidade sanitária da carne.
Controle
O produtor João Borges dos Santos Júnior, de Terenos (MS), é um dos que usam o sistema de brincos eletrônicos da Allflex, mas ao contrário de muitos pecuaristas brasileiros, ele não adotou o sistema para ter acesso ao mercado europeu, e sim para manter o controle dos animais dentro da propriedade. “Eu já utilizava o brinco convencional. Mas, recentemente, optei pelo eletrônico por conta da rapidez e confiabilidade”.
Allflex
FERNANDO BERTONGNA GODOY
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