Agrishow movimenta R$ 2,9 bilhões e crescimento fica abaixo do esperado

06 de maio de 2019

Sem o mesmo entusiasmo do ano passado, os dirigentes da Agrishow anunciaram nesta sexta-feira (3/5), último dia da feira, um faturamento de R$ 2,9 bilhões, crescimento de 6,4% em relação aos 2,7 bilhões de 2018. O esperado era 10%. A diferença foi creditada à falta de recursos públicos para financiamento. Em 2018, a alta nos negócios foi de 22,7%.

O crescimento ficou bem abaixo do relatado nas primeiras feiras agrícolas do ano. A Tecnoshow, por exemplo, realizada em abril em Rio Verde (GO), anunciou faturamento de R$ 3,4 bilhões, um aumento de R$ 900 milhões em relação a 2018.

Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquina e Implementos Agrícolas da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), disse que o grande destaque na 26ª Agrishow foram as intenções de compra do setor de irrigação, com alta de 35%. Já as empresas de armazenagem relataram queda de 13%. Máquinas de grãos, café, cana e frutas registraram alta de 5% nos negócios e o setor de pecuária aumentou 4%.
 
A queda em armazenagem foi creditada à total falta de recursos do Plano Safra para os financiamentos da linha PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns do BNDES). “Já para a irrigação havia recursos, o que fez toda a diferença”, disse Estevão.
Com 20% de aumento anunciado nas vendas, a John Deere puxou para cima os negócios no setor de máquinas agrícolas. As outras grandes fabricantes não divulgaram números.
 
Francisco Maturro, presidente reeleito da Agrishow para o próximo biênio, destacou que a Abimaq solicitou aportes de R$ 3 bilhões ao Moderfrota, linha de financiamento para máquinas agrícolas, antes da feira. Na abertura, a ministra Tereza Cristina anunciou que o governo estava “raspando o tacho” e iria liberar R$ 500 milhões.
 
O dirigente diz que a maior preocupação do setor agora é quanto a taxa de juros do novo Plano Safra será maior em relação à Selic de 6,5%. O anúncio será feito no dia 12 de junho e as regras passam a valer em 1º de julho.
 
A organização da Agrishow anunciou ainda um aumento de 61% nas rodadas internacionais de negócios realizadas durante a feira. Segundo o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso, 52 fabricantes nacionais fecharam contratos de US$ 33 milhões com compradores da Argentina, Austrália, Chile, Colômbia, Etiópia, México e Peru.
Fonte: Revista Globo Rural