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Efeito da nutrição materna sobre o desempenho dos bezerros

12 de julho de 2018

Nos últimos anos, muitas pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de entender como a nutrição materna afeta a saúde e a produtividade durante o período pós-natal. Sabe-se que a nutrição materna durante a prenhez desempenha função essencial sobre o desenvolvimento fetal e placentário, afetando diretamente a saúde e a produtividade de prole.

Quando o manejo nutricional da matriz é deficiente, causa uma subnutrição, sendo reportadas complicações na produção animal, que incluem o aumento da mortalidade neonatal, disfunções respiratórias e intestinais, crescimento neonatal retardado, diferenças no diâmetro das fibras musculares e reduzida qualidade da carne.
 
O aumento no suprimento de aminoácidos possui grandes implicações na programação fetal, pois quando a dieta é deficiente em cisteína ou taurina, grande parte da metionina é utilizada para conversão destes dois aminoácidos. Isso gera um débito, já que a deficiência destes aminoácidos acarreta efeitos duradouros sobre o desenvolvimento do feto.
 
Com a subnutrição das fêmeas ainda durante a placentação e estabelecimento do sistema vascular materno-fetal, se reduz a transmissão das quantidades necessárias de nutrientes e de oxigênio, sendo estes muito exigidos durante o terço final de gestação, período onde ocorre o maior desenvolvimento do feto. Com relação ao desenvolvimento muscular, o período fetal é crítico para o desenvolvimento das fibras musculares, pois, após o nascimento, não há aumento no número de fibras musculares.
 
Nos estudos realizados por Stalker et al. (2006, 2007) e Funston et al. (2008), o peso à desmama foi influenciado pela suplementação proteica das matrizes, sendo que a variação foi de 6 kg a 12 kg superior quando comparados a bezerros oriundos de vacas não suplementadas, demonstrando, assim, os efeitos da suplementação sob o peso à desmama.
 
Um experimento realizado por Greenwood et al. (2007) demonstrou que machos com 30 meses de idade, oriundos de fêmeas submetidas à restrição nutricional durante a gestação, tiveram peso corporal e de carcaça inferiores em relação a machos oriundos de vacas com nutrição adequada. Isso indica que o crescimento muscular foi prejudicado.
 
Além dos efeitos produtivos, ainda são reportados efeitos reprodutivos, onde novilhas oriundas de fêmeas submetidas a um suplemento proteico durante o terço final de gestação obtiveram taxa de prenhez superior na comparação com novilhas oriundas de matrizes não suplementadas. Em um segundo estudo, a suplementação proteica influenciou a puberdade das filhas, pois um número maior de filhas de vacas suplementadas atingiu a puberdade do que as fêmeas oriundas de matrizes não suplementadas.
 
Os efeitos de uma correta suplementação das matrizes sobre o seu próprio desempenho reprodutivo são notáveis em um experimento realizado por Nepomuceno et al. (2013). Nele, vacas que foram submetidas a uma suplementação proteica obtiveram um aumento da taxa de retorno à ciclicidade no pós-parto precoce de 24,3% e alta na taxa de prenhez de 8,7% na comparação com vacas não suplementadas em um mesmo escore de condição corporal.
 
A maioria dos estudos sobre programação fetal foi realizada utilizando a suplementação proteica como ponto-chave para os benefícios da prole. Porém, Marques et al. (2016) realizaram um experimento utilizando maiores teores de fontes orgânicas de micro elementos (cobalto, cobre, manganês e zinco) em dietas isonitrogenadas (14,4%) na nutrição materna durante a gestação e observaram um aumento de 11 kg no peso à desmama, além de efeitos na terminação destes bezerros, onde os filhos de vacas suplementadas entraram no confinamento com peso superior (10 kg) e, ao final do confinamento, a diferença se elevou para 14 kg quando comparados a filhos de vacas suplementadas com menores teores de micro elementos.
 
Um fato potencial associado à subnutrição durante a gestação é o aumento exponencial de substâncias oxidativas no corpo da matriz, sendo que a subnutrição leva à uma redução de substâncias antioxidantes, que, por sua vez, desempenham consequências negativas para o feto a curto e longo prazo. Assim, a suplementação adequada com Selênio visa prevenir possíveis efeitos deletérios causados pelos radicais livres.
 
Portanto, é notório o efeito da suplementação mineral e proteica durante a fase gestacional. Assim, com o objetivo de suprir as necessidades de minerais e aminoácidos como já citados, devemos ter em mente a utilização de produtos que contenham em sua formulação fontes e teores adequados de microelementos e proteína verdadeira para propiciar um maior aporte de nutrientes necessários para o desenvolvimento fetal otimizado. Isso, principalmente, em situações onde ocorrem restrições na qualidade e quantidade da pastagem, refletindo em um aumento na produtividade do sistema de cria.

Fonte: DBO Rural
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Foto: Arquivo
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