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Milho: Com pressão da colheita e impasse do frete, preços recuam e negócios seguem lentos no Brasil

05 de julho de 2018

A quarta-feira (4) foi de estabilidade aos preços do milho praticados no mercado doméstico. De acordo com levantamento da equipe do Notícias Agrícolas, em Campo Grande (MS), a saca do cereal subiu 1,96% e encerrou o dia a R$ 26,00. Já em Campinas (SP), o ganho ficou em 0,27%, com a saca a R$ 37,10. Na demais praças pesquisadas, os preços permaneceram inalterados.

Segundo destacam os analistas de mercado, as cotações do cereal estão pressionadas negativamente em meio ao avanço da colheita da safrinha. No maior estado produtor, o Mato Grosso, cerca de 21,28% da área plantada nesta temporada já havia sido colhida até a última sexta-feira (29), conforme dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).
 
De acordo com os dados anunciados pela Aprosoja/MS, em Mato Grosso do Sul a área plantada caiu 8,2%, saindo de 1,852 milhão de hectares para 1,7 milhão de hectares. A produtividade média recuou de 88,3 sacas para 68 sacas por hectare.
 
Se por um lado o volume produzido caiu, por outro o nível de comercialização se elevou, saindo de 16,5% na temporada 2016/17 para 31% na atual temporada. Em MS, a colheita foi lançada oficialmente no dia 25 de junho.
 
Já no Paraná, a colheita já está completa em 2% da área cultivada nesta temporada. A informação é do Deral (Departamento de Economia Rural). 29% das lavouras apresentam boas condições, 49% apresentam condições medianas e 22% estão em condições ruins.
 
Além do avanço da colheita, "os negócios estão devagar, quase parando, em função da indefinição com relação ao tabelamento do frete rodoviário", destacou a Scot Consultoria. Nas principais regiões, apenas o frete curto está sendo realizado, com a referência da nova tabela da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
 
Ainda nesta quarta-feira, a Comissão Especial aprovou a Medida Provisória 832 que estabelece o preço mínimo para o frete rodoviário. A MP deverá ser votada agora na Câmara dos Deputados.
 
O cenário também tem gerado preocupações quanto à armazenagem do produto, especialmente em Mato Grosso. Em Nova Mutum (MT), muitos produtores investiram em silos-bolsa nesta safra, mas que não serão suficientes para a armazenagem de todo o milho. E muitos armazéns ainda possuem soja, já negociada, que precisa ser escoada. Sem o acerto dos valores dos fretes, muitas empresas ainda não retiraram a oleaginosa dos silos.
 
"Hoje, o frete consome metade do preço do nosso milho. Estamos conseguindo escoar para o mercado interno, com negócios balizados pela nova tabela da ANTT. Entretanto, temos um grande prejuízo no mercado externo, já que os fretes inviabilizam o escoamento dos produtos até os portos", reforça o presidente do Sindicato Rural do município, Emerson Zancanaro.
 
Paralelamente, a perspectiva é que o quadro também afete as exportações brasileiras, estimadas em 28 milhões de toneladas pela Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais).
 
"Há 40 dias que não se precifica nada de milho no mercado interno. Ou seja, não há aquisições junto aos produtores em função das incertezas com os fretes... Se isso demorar a ser resolvido, ficaremos com uma janela muito curta para exportar, e as vendas ficarão para o ano que vem", disse o assistente executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, Lucas Trindade, em entrevista à Reuters.
 
Bolsa de Chicago
Em meio ao feriado do Dia da Independência, comemorado nos EUA nesta quarta-feira não houve negócios na Bolsa de Chicago (CBOT). Os contratos voltam a operar nesta quinta-feira.

Fonte: Notícias Agrícolas
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Foto: Divulgação | Famasul
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