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Coooperativas querem repetir desempenho das exportações de 2008

16 de setembro de 2009

Mais uma vez as exportações das cooperativas brasileiras se destacam frente às vendas externas do País. Um estudo elaborado pela Gerência de Mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostra que o setor mantém o comportamento observardo no primeiro trimestre de 2009.

Com os efeitos da crise financeira internacional, no primeiro semestre de 2009, o cooperativismo registra queda de 5,95% nos valores exportados frente ao mesmo período de 2008, mas em menor percentual que as exportações brasileiras, que contabilizaram redução de 22,83%.   

A análise, baseada em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), indica que as cooperativas exportaram US$ 1,75 bilhão de janeiro a junho deste ano, contra US$ 1,86 bilhão em 2008. Embora tenha sido observada retração nos valores obtidos em dólares com as exportações, devido aos efeitos da crise, os patamares observados estão bem acima dos intervalos anteriores a 2008. 

Já em relação às quantidades comercializadas, observou-se um crescimento de 8,32% frente ao primeiro semestre de 2008, chegando a  3,77 milhões de toneladas. Em conseqüência da taxa de câmbio, o valor recebido em reais pelos embarques do setor ao exterior atingiu R$ 3,84 bilhões, também com aumento de  21,66%.  

Corrente do Comércio

Vale destacar os percentuais observados na corrente do comércio (somatória das exportações  com as importações) do Brasil, agronegócio e setor cooperativista nos seis primeiros meses deste ano. Novamente, as cooperativas se destacam frente ao Brasil. Elas contabilizaram queda na corrente de comércio, de 11,5%, porém em menor percentual que o País, que fechou com decréscimo de 25,9%. Já o agronegócio brasileiro registrou queda de 7,3%.

Até o primeiro semestre de 2008, os indicadores englobados (exportações, importações, saldo das transações e corrente do comércio) mostraram crescimento contínuo.  O complexo soja, que engloba grão, óleo e farelo, continua liderando as vendas diretas das cooperativas brasileiras, com 37,90% das exportações totais. Na seqüência figuram o setor sucroalcooleiro (26,70%), que corresponde aos açúcares e ao álcool etílico, e as carnes (16,30%). O café, cereais (milho, trigo, arroz e cevada), algodão e leite e laticínios aparecem na seqüência, com representações de 9,30%, 3,30%, 2,20% e 0,80%, respectivamente.

Carro-chefe das exportações do setor, o complexo soja somou um total de US$ 662,25 milhões entre janeiro e junho de 2009, crescimento de 2,09% em relação ao primeiro semestre de 2008, quando foram embarcados US$ 648,68 milhões. Os grãos apresentaram liderança no setor, representando 49,44% do total (US$ 327,40 milhões) e 60,08% no mesmo período de 2008 (US$ 389,75 milhões). O farelo representou uma parcela de 37,74%% (US$ 249,92 milhões) e o óleo, de 12,83% (US$ 84,93 milhões).

O setor sucroalcooleiro, por sua vez, respondeu por US$ 466,34 milhões, com crescimento de 13,55% comparando-se o primeiro semestre de 2009 com o mesmo período de 2008. Os açúcares são destaque nesse segmento, com participação de 84,17% este ano (US$ 392,53 milhões), frente a 45,08% em 2008 (US$ 185,15 milhões). A elevação das exportações de açúcares, de 112%, compensou a retração de 62,27% nas vendas externas de álcool.  

Mercados de destino

A China aparece em primeiro lugar entre os mercados de destino dos produtos cooperativistas no primeiro semestre de 2009, com US$ 213,99 milhões, frente a US$ 228,25 milhões em 2008, registrando uma retração de 6,25%. A soja em grão foi o principal produto da pauta, com US$ 188,07 milhões.

No mesmo período, a Alemanha também se destacou nas importações de produtos comercializados pelas cooperativas brasileiras, com US$ 169,62 milhões, queda de 17,64% em relação ao primeiro semestre de 2008. A soja em grão, o farelo de soja, o café verde e as carnes foram os principais produtos adquiridos. Os Países Baixos responderam por US$ 140 milhões em produtos comercializados pelas cooperativas brasileiras, com queda de 19,15% frente a 2008.

No período, foram adquiridos, principalmente, soja em grão, o farelo de soja, o álcool etílico, o café verde e carnes. Na quarta posição aparece a Arábia Saudita, com elevação de 139,48% nos valores comercializados entre janeiro e junho de 2009, repetindo o percentual do ano anterior, com US$ 131,04 milhões. Os açúcares foram os produtos absolutos na pauta, representando US$ 87,37 milhões.

Os Emirados Árabes Unidos aparecem na  quinta colocação, apresentando evolução de 671,99% nas compras dos produtos das cooperativas brasileiras e total de US$ 97,08 milhões. Mais uma vez os açúcares aparecerem como os principais produtos, com US$ 8,37 milhões.    

As barreiras não-tarifárias, as oscilações nas cotações das commodities e da taxa de câmbio também tendem a impactar o resultado das relações comerciais das cooperativas ao longo de 2009. Mas o setor revê a perspectiva traçada no início do ano, quando se falava na redução de 10% no fechamento das exportações das cooperativas brasileiras.

Os resultados alcançados no primeiro semestre do ano vislumbram a possibilidade de se chegar aos mesmos indicadores registrados em 2008, US$ 4 bilhões. O cenário indica que o complexo soja e o setor sucroalcooleiro permaneçam entre os principais produtos exportados pelas cooperativas brasileiras. Espera-se ainda uma recuperação do setor de carnes. 


Fonte: Folha do Fazendeiro
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