Artigo
03 de dezembro de 2009
A mídia de gaveta tem passado que o Brasil de hoje é bem diferente daquele de outrora. Com muita cara dura, pregam uma diferença para melhor, ao ponto de se assegurar tudo como padrão de referência para o mundo. Colocam todos os focos nas ações do atual governo federal, fazendo assim uma condução enganosa, saindo da informação para a deformação da realidade.
Na área do agronegócio, por exemplo, vivemos e convivemos em meio a muitas incoerências, aberrações e injustiças entre outras inversões de valores. Ora, vejamos: primeiro o governo Lula convoca o setor rural para a campanha de combate à fome (Fome Zero), e, logo em seguida, começa a tripudiar do agronegócio. O presidente tem viajado muito como um grande líder comprometido (internacionalmente) com o combate a fome. Mas, aqui, nas terras brasileiras, penaliza e onera exatamente quem deveria apoiar e estimular. É preciso que essa “mídia” leve ao presidente que o número de famintos no mundo aumentou, em dois anos, de 800 milhões para 1,02 bilhão.
Se continuar com tamanha carga tributária sobre o setor que produz alimentos, o presidente Lula poderá passar vergonha com seus colegas internacionais. Diante do quadro atual, aqui entre nós, muita gente está mudando de ramo por não suportar o peso acumulado de uma carga discriminatória. A questão é muito séria. Daqui a pouco o campo irá só oferecer uma dieta final: salada de eucalipto e churrasco de cana. Aí sim, o nosso Brasil será mesmo diferente.
É urgente que exista mais consciência e responsabilidade com a preocupante situação. Não é desviando terras altamente produtivas, numa afronta brutal ao direito de propriedade, para ampliarem terras indígenas, ou semeando assentamentos para o MST que iremos incrementar a produção de alimentos. O governo está muito equivocado agindo dessa forma. A política adotada na prática não contribui com nada, a não ser para atender interesses ideológicos e internacionais. Os quais, cá entre nós, o que não deixa de ser uma vergonha.
Até quando o “Brasil diferente” vai permitir que justamente aqueles que, lá em suas terras exterminaram barbaramente seus índios, possam, de lá, ditarem regras ao nosso governo, ao nosso país? Como diz o meu compadre: com que moral? Na história mundial está registrado o que os norte-americanos e europeus fizeram com seus nativos. Atrocidades das mais cruéis, quando agora se lançam como protetores bondosos dos nossos índios. Será?
Na verdade o pano de fundo da questão é outro. Os índios estão apenas sendo massa de manobra, pois os que buscam outros interesses querem lacrar nossa riquezas minerais e vegetas, dentre outras. Retirando produtores rurais, assegurando suas ambições estratégicas, colocando pretensos direitos indígenas, justamente em cimas dessas terras. Acham que está tudo combinado, só esqueceram de avisar o general Augusto Heleno.
Com isso tudo o país vem vivendo conflitos e confrontos. Ou o governo Lula, bem como todo o Judiciário, encaram o problema com a importância e responsabilidade que tem, ou daqui a pouco muito sangue será derramado. Os abusos conjugados com a impunidade têm provocado revoltas remontadas, subtraindo a cada dia a paz no campo. Vejamos, por exemplo, o que foi contatado na retomada da invadida fazenda Querência São José, em Sidrolândia, onde um livro apontador foi deixado pelos índios invasores.
Nesse livro consta o nome de todos os chamados “guerreiros”, declarando suas armas de fogo e suas respectivas munições. Nas anotações manuscritas consta que índios estão armados e orientados para confrontos mapeados em grupos, atendendo táticas de guerrilhas.
Importante aqui registrar que existem infiltrações de brancos e mestiços, advogados contratado (Dr. Rogério) e vereador com mandato, dentre outras adredementes articuladas.
Muitas droga e bebida alcoólica foram encontradas em meio à baderna. Saquearam tudo, levaram todos os móveis e utensílios, abateram gado e sumiram com cem reses. Um esbulho absurdo, coisa de bandido. A proprietária, Sra. Lurdes Bacha, uma viúva com mais de 80 anos, vem, covardemente, sendo sujeitada a tamanha violência.
Destaca-se nesse episódio o justo e corajoso apoio do governador André Puccinelli, que determinou a pronta ação da Polícia Militar no local, para garantir a ordem e a paz. Enquanto isso, a maioria do nosso legislativo, principalmente a bancada federal, tem aceitado tudo. Omitem-se com as suas chamadas “bases de governo”, só atendendo tudo que seu mestre mandar. Vergonhosamente se permitem governar por festivais de medidas provisórias. É pra acabar!
Fecho por aqui, lembrando que é tempo de mobilização e de pressão, só assim, por exemplo, a dona Lurdes conseguiu retornar a sua fazenda invadida. Sejamos mais unidos e participativos na defesa dos nossos negócios e da sobrevivência do setor agropecuário. Essa é nossa legitima bandeira.
E que venham os novos índices de produtividade, o Funrural nas operações intermediárias entre produtores -a Acrissul já defende seus associados com o providencial ingresso de um mandado de segurança na Justiça Federal-, e que venha o novo código florestal (ideológico), o repasse da cobrança do ITR buscando aumento de imposto, e invasões de terras de povos indígenas ou não.
E como se não bastasse o produtor rural fica cada vez mais empobrecido, assistindo benefícios a outros setores. Agora, é a vez da indústria de móveis com IPI zero. Daqui apouco viram os setores de confecções, calçados, tecidos e por aí a fora. Por que estamos sempre “esquecidos”? Mas que pecado mortal cometeu o produtor rural? Por que tanta diferença de tratamento? E o que tem feito a CNA até agora? Qual o interesse até aqui demonstrado sobre esta importante matéria? Qual a contrapartida correspondente do que pagamos de contribuição sindical? A Famasul tem atuado firme (especificamente nessa questão) na defesa prioritária dos direitos do produtor? Estava muito nebuloso, como um barco a deriva, até que chegou a Acrissul para cumprir um papel que não é só dela. E por fim, vamos em frente que atrás vem gente.
A verdade é que, tudo isso acumulado só tem quebrado o necessário ímpeto dos sofridos e abnegados produtores rurais. Que Chico Buarque se inspire para compor a Geni II, pois os homens e mulheres que fazem a produção de alimentos neste país só recebem todas as pedradas, muitas pedras atiradas ingrata e injustamente pelo chamado “Brasil diferente”! Esperamos por uma ação equivalente, ou não somos brasileiros com vergonha na cara. E que venha o ano eleitoral!
Jonathan Pereira Barbosa.
Vice-presidente da Acrissul
Últimos Artigos
-
Quem viu, conferiu!
14 de abril de 2010 -
A festa do MS
26 de fevereiro de 2010 -
Retomada das terras indígenas
25 de fevereiro de 2010 -
Que diferença faz ?
09 de fevereiro de 2010 -
Artigo: Fruteiras nativas do Cerrado têm potencial para exploração
11 de dezembro de 2009 -
BRASIL DIFERENTE
03 de dezembro de 2009 -
Presente de Grego
27 de outubro de 2009 -
O Incômodo censo Agropecuário
19 de outubro de 2009





